quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Lady de bike


No meu primeiro dia aqui, quando saí do aeroporto, me recusei a pagar taxi e fiquei esperando ônibus.
O primeiro que passou era todo colorido e tinha uma bicicleta rosa e uma azul penduradas logo na frente. Eram cheias de adesivos do Mickey e da Minie. Pensei, achando o máximo essas coisas americaninhas: aaah, to na Flórida, isso deve ser ônibus temático, carro diversão pra levar os turistas pra Disney.
Mas logo vi que os adereços eram freqüentes, e tiveram que me explicar que aqui quem ta de bike também pode pegar ônibus (!).

Depois de várias ligações pro site que vende tranqueiras usadas, nós também conquistamos a super ladies’ bike: vermelha, grande, enferrujada, barulhenta e com freio daqueles de pedalar pra trás. Trinta dólares, divididos por três e com muita reclamação.
No dia de sol, resolvo não pegar o ônibus e ir até o mercado pedalando. Ó, que delicia o ventinho no rosto, a leveza de pedalar nas avenidas daqui vendo no chão a minha sombra. Distraída, em uma hora e meia de brisa(!) cheguei ao walmart.
Na volta é que ficou bom: A brisa suave vira vento contra, o sol que fazia sombra vira holofote no olho (olho sem óculos, ainda não tive coragem de pagar 100 dólares em um par), cada plaquinha do ônibus 12 pisca nos meus olhos, os banquinhos para esperar são um convite. Pedala, Clarice!
Depois do esforço, consigo retornar ao lar com as pernas dormentes, bronzeado super fashion de meia perna com marca de meia e uma caixa de sucrilhos e um sabonete na mochila.
Só por curiosidade, abri o mapa pra ver o quanto eu andei.
Doze quilômetros.
E doze pra voltar.
Os suportes pra bicicleta dos ônibus agora fazem o maior sentido.
Na próxima (?) vez, eu posso até ir de bike
mas a volta é de Ônibus.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Numa batucada brasileira


Uhn, em dia de sol eu vou é à praia.
Cheguei aqui com um livro do Paulo Francis e outro do Murilo Rubião, mas achei impróprio estar na terra do Tio Sam lendo livro em português. Entrando no sebo, começo a ver os títulos. Na parte de literatura contemporânea, acompanho os autores por ordem alfabética: Olha, que legal, vários do Mario Vargas Llosa! Ih tem Rachel de Queiroz! Ah, não podia faltar o Paulo Coelho. O mais surpreendente foi chegar à estante dos clássicos. Charles Dickens, Aristóteles, Balzac e...
Jorge Amado! Tieta, the tent of miracles, Jubiabá, um do lado do outro na mesma seção.
E agora, compro ou deixo na prateleira pra algum americano ver e se interessar?
Vou ler Baía em inglês?
No fim das contas, meu primeiro Jorge Amado foi comprado em dólares.
Eu jogada na areia de Siesta Key, sob o sol da Flórida,
imaginando a tal da Bay of all Saints.